02/05/2011

Resenha: Thor - O Filme

  • Atenção, esse texto pode (e vai) conter spoilers*

Analise Thor

Olá Bucaneiros! Venho aqui com mais uma resenha, mas nesse caso, parto para a esperada (pelo menos por mim) adaptação cinematográfica do herói da Marvel, o poderoso Thor!

Particularmente, não tinha boas expectativas para com essa adaptação. Além das primeiras informações mornas, nunca tive o filho de Odin como um herói do meu “clube dos legais”. Sempre priorizei o Homem de Ferro, X-Men, Batman, e outros. Então, quando vi as primeiras noticias (e as imagens) acreditei que era mais uma adaptação mediana, mesmo com o cada vez maior, peso do nome da Marvel Studios. Com o tempo, e com a escolha do diretor Keneth Branagh, que tem no currículo adaptações de obras de Shakespeare. Outra coisa que começou a mudar minhas expectativas foram as entrevistas dos produtores, que demonstraram a clara intenção de criar um filme que tenha uma alma própria, mas que contribua com o mega-esquema do estúdio em unir seus grandes heróis no vindouro Vingadores. Dessa forma, fui ao cinema logo na estréia, com um sentimento de dúvida muito grande: Vai fazer jus ao que a Marvel planeja? Vamos ver....


O Elenco:
A escolha do elenco, que tem como figura de destaque, Sir Anthony Hopkins, se mostrou muito boa. Começarei com as figuras principais Asgardianas e depois seguirei aos terráqueos (Putz, isso ficou meio estranho):

Chris Hemsworth, desconhecido até então (pra mim, pelo menos) soube criar um Thor bem próximo do clássico, emprestando um misto da esperada truculência Asgardiana, com um ar superior, digno de uma raça muito mais avançada que a humana. Isso claro, sem contar com os momentos de humor, que de forma simples, deu ao personagem um grande carisma. O Sir, citado acima, dispensa apresentações. Seu Odin, o “Pai de Todos” transparece isso em todas as cenas. A idade avançada do ator, a meu ver, apenas colaborou com esse efeito. 

Tom Hiddleston, o Loki, é outro com grande destaque. O inglês, mais um desconhecido para mim, deu ao deus da trapaça uma versão menos sarcástica do que eu esperava, mas mesmo assim maquiavélica. O roteiro, que coloca o personagem em uma situação complexa, colocou o ator para interpretar um personagem que vaga por várias facetas, mas que tem destaque sempre. Com menor representação, estão á experiente Renne Russo, como a mãe de Thor e Loki, Frigga, e o quarteto de guerreiros que acompanham Thor em suas ações em Asgard: Fandral, Hogun, Volstagg, Lady Sif (Joshua Dallas, Tadanobu Asano, Ray Stevenson, Jaimie Alexander). Todos eles, bem caracterizados, mas com pouco espaço, salvo as insinuações dos sentimentos de Sif em relação á Thor, servem como um bom apoio, tentando dar mais veracidade a humanização do protagonista. Já Idris Alba, o Heimdall, o guardião de Biforst, a ponte que liga Asgard a outros mundos, mesmo com a polêmica ao redor de sua escolha para o papel (Idris é negro) consegue se destacar em seu papel frente aos seus compatriotas Asgardianos.

Pelo lado dos humanos, Natalie Portman, que incorpora a Dra. Jane Foster, faz bem o papel que lhe indicada. Uma cientista de personalidade forte, mas com ar inocente, e pouco habilidosa nas relações pessoais. Ao seu redor, como Thor, a personagem tem aliados que ajudam a formar sua caracterização. O Dr. Slevig (Stellan Skarsgård) vai fazer a alegria dos fãs, citando sua relação com um doutor habilidoso na utilização dos raios gamas. É com ele também, que acontece uma importante cena do filme, bem, bem no final. Já Darcy (Kat Dennings) serve mais como o alivio cômico do trio, mas que funciona razoavelmente bem. Clark Gregg, o agente coulson, está muito bem, com mais espaço para mostrar como age o “homem de preto” da SHIELD.

O Filme:
Thor começa com uma viagem no tempo, onde o passado da terra é mostrado sobe o olhar de um vilarejo norueguês. Lá, através de uma narração em off, descobrimos que os Gigantes do Gelo, portando uma poderosa reliquia, com poderes sobre o frio, estão atacando a terra. Porém, surgem os Asgardianos e os combatem em uma bela cena de ação. Com o final do embate, e a vitória dos Asgardianos, uma espécie de pacto de não violência é imposto. O filme mostra que os humanos foram influenciados pelas visões dos Asgardianos, assimilando grande parte de sua cultura para criar sua mitologia. Para mim, essa foi uma ótima forma de aproximar os dois universoso, sem forçar situações incomodas ou com furos, onde os Asgardianos poderiam ficar “perdidos” em meio a tantas informações conflituosas sobre sua cultura.

Após isso, a Dra. Foster, sua amiga Darcy e o Dr. Slevig, estão observando estranhas luzes no céu, em meio ao deserto do novo México. Logo, vêem uma enorme luz se chocando contra o solo e vão lá apara descobrir o que está acontecendo, sendo surpreendidos ao encontrarem um homem no local do choque. Mais uma vez, a narrativa muda de foco, novamente voltada aos Asgardianos. Somos tomados por uma magnífica viagem por Asgard. O misto de tecnologia e magia, que é apontado no filme como sendo a mesma coisa, é deslumbrante. O palácio de Odin, e todas as construções são de um nível de detalhes impar, mostrando que a Marvel não poupou esforços na pós-produção. Após isso, somos apresentados aos protagonistas, tendo destaque Thor, que sobe as vistas inexpressivas de seu Irmão Loki, e a euforia da população, será apontado como novo rei de Asgard. 

Nesse instante, porém, o palácio, em especial a sala onde ficam as relíquias conquistadas, é atacada por um trio de Gigantes do Gelo. Surge então o Destruidor, uma espécie de armadura gigante com vida própria, que age como guardião das relíquias, e acaba com a situação, cumprindo seu papel como guardião. Thor, então furioso com o ataque dos Gigantes, clama o poder de rei que iria receber, mas é impedido por seu pai, e é obrigado a descontar nos móveis do palácio sua fúria e impotência. Seu espírito, porém, é orgulhoso, e não tarda para convencer seus aliados Fandral, Hogun, Volstagg, Sif e até seu irmão, apara adentrarem nas terras dos Gigantes do Gelo, Jotunheim, para tirarem as diferenças com o Rei dos Gigantes Laufey. Após uma batalha bem montada, onde o poder de Thor e seu martelo Mjornir se mostram assombrosos, Odin surge resgatando todos, mas com atenção especial para seu temperamental filho. Por seu orgulho e falta de sabedoria, Thor perde seu martelo e seu poder. Ele é então banido de Asgard, e enviado a terra por seu pai, e nenhuma esperança é dada para seu retorno. Loki, como sempre, observa tudo de forma serena, mas graças ao talento do ator, demonstra planejar algo grandioso. 

O filme segue com a adaptação de Thor a terra, onde seu contato com os humanos gera algumas situações cômicas, como a cena em que é atropelado pela Dr. Foster, ou quando solicita um cavalo em uma loja de animais. Falando assim, pode parecer que o filme segue uma linha de humor semelhante ao encontrado em filmes como o Homem Aranha 2, mas esse não é o caso. O roteiro que, mesmo lidando com uma “divindade”, tenta ser simples e focar-se mais nos personagens, e usa o humor como forma de humanizar mais as situações, não com a intenção direta da comédia. Thor descobre o paradeiro de seu martelo, e de forma habilidosa, mas ingênua, tenta recuperá-lo. É nesta cena que vemos um misterioso agente, que prefere escolher um arco para agir, ao invés de armas de fogo. Chamado de Agente Barton, ele fica com o deus do trovão sobe sua mira, mas não tem a permissão para disparar. Aos fãs, mais uma demonstração de que a Marvel está planejando tudo para a união de seus heróis. Paralelo a isso, a situação política de Asgard vai se modificando, principalmente quando Loki descobre um segredo muito importante em relação a sua origem, e com o sono de Odin. Uma espécie de coma que entra, e que não se tem noção de quanto tempo durará. Com Loki no trono, já que seu irmão foi banido, descobrimos suas reais intenções, e vemos através dos amigos de Thor, que todas as coisas fazem sentido agora, já que as intenções do novo rei, não se mostram em nadas pacificas. 

Revelações vão surgindo, de forma fácil de compreender, como na cena onde a ainda descrentes das origens de Thor, Dra. Foster, recebe uma aula de cosmologia, onde lhe é explicado a posição da terra frente aos outros oito mundos/reinos/planetas. Vemos ai, como mesmo Thor, um guerreiro orgulhoso, faz jus a suas heranças Asgardianas, mostrando-se um ser mais elevado, principalmente explicando a Dra. Que em seu mundo, ciência e magia são as mesmas coisas. Um combate entre Thor, seus aliados vindos de Asgard contra o Destruidor, enviado para matá-lo, se inicia, e tem como fim, o “renascimento do deus do trovão”. O clima de romance implícito até então, ganha forma e, como um bom clichê, termina com um beijo apaixonado e um herói partindo para uma batalha épica. Thor volta para Asgard, graças a Heimdall, e se vê frente-á-frente com seu irmão. A batalha, que para mim seria épica, se mostrou simples. Não é ruim, mas esperava algo muito mais grandioso. Mesmo com o plano de Loki em curso, e uma invasão dos gigantes do gelo ao palácio se iniciando, esperava mais dinâmica, mais ação mesmo. Porém, vemos um desfecho onde, mais uma vez, o poder de Thor se mostra gigantesco, e ele agora, mais sábio, toma uma decisão que colocara a ligação de Asgard com todo o resto do universo em risco.

O filme termina com o sentimento de dever cumprido. A ligação entre a divindade Asgardiana e a mortal ganha uma proporção muito grande, mas toda a glória da conquista e a presença de Anthony Hopkins garante um final a altura. Ficam então várias questões: Como fica a SHIELD frente á esses acontecimentos? Quem é o Agente Barton? Como o filme se encaixará juntos aos outros na construção de Os Vingadores?

Ao final, como esperado, temos uma cena pós créditos. O Dr. Slevig, personagem de pouco destaque até então, encontra-se com uma figura carimbada desse universo cinematográfico da Marvel, e juntos, contemplam o que pode ser o ponto de união de todas as franquias. Porém, não estarão sozinhos...

Prós:
Conceitos equilibrados: Thor cumpriu seu papel para mim. Um filme de aventura, que conseguiu equilibrar os conceitos mágicos do universo Asgardiano com a tecnologia da terra. As estranheza da população com tudo que acontece, o fato dos acontecimentos se darem em uma região afastada, tudo combinou para uma ótima sincronia entre conceitos tão antagônicos.
Elenco: Os atores, em especial Chris Hemsworth e Tom Hiddleston, estão muito bem em seus papeis. Os antagônicos Thor e Loki roubam a cena, não apenas nas situações em que se confrontam, mas frente ao que representam. Anthony Hopkins, como sempre, é um farol que guia todos, e sua escolha como o “Pai de todos” não poderia ter sido melhor. Natalie Portman e os outros também mantém o nível, chamando atenção para as boas interpretações, em um segmento onde nem sempre encontramos esse tipo de qualidade.
Direção: Com sua experiência cinematográfica, Keneth Branagh mantém o filme “nos cabrestos”, passando uma visão um pouco além do esperado “Filme de um deus nórdico, com muita ação e pouco conteúdo”.

Contras:
Personagens secundários: Se os protagonistas se destacam de forma louvável, o mesmo não se pode dizer dos coadjuvantes. Os quatro guerreiros amigos de Thor são meras figuras decorativas, se limitando a cenas de alivio cômico, ou simples suportes. Os mortais também pecam nisso, deixando transparecer que poderiam ter um pouco mais de profundidade.
Relação de Thor e Jane Foster: Sim, imaginava o clima entre os dois, mas acreditei que tudo ficaria subentendido, dada a grandiosidade de Thor, e, principalmente, o pouco tempo em que permanecem juntos. Porém, não foi o que aconteceu. Tanto que, por pouco, o filme não perde o foco, ao colocar o Deus do Trovão retornando para Asgard atrás de vingança por um amor mortal. Sim, ela tem um grande peso, mais não foi o único (que bom)
Ação: As cenas de ação me lembraram muito o primeiro filme do Homem de Ferro, bem controladas. Porém com o Thor, acredito que ficou um pouco mais. Não que a luta com os gigantes não seja empolgante, ou que os feitos dos heróis não sejam interessantes, mas para mim, faltou sim uma batalha épica, principalmente no final.

C'est fini:
O filme me surpreendeu por sua qualidade. Como todos os filmes da Marvel, este também se preocupou em manter o máximo possível as influencias das HQs, e se preocupar com o desenvolvimento dos personagens. Em destaque, coloco aqui o trabalho da direção e dos atores. Não que Chris Hemsworth seja uma versão nórdica de Robert Downey jr, mas foi muito bem. A direção, nas mãos de um experiente diretor, não mostra deslizes, mantendo o bom ritmo do filme, que intercala cenas de Asgard e da Terra. O roteiro, escrito por J. Michael Straczynski (Conhecido também pela saga do Homem-Aranha One More Day) e Mark Protosevich é simples, e fácil de compreender, mesmo com toda fantasia e aparente confusão causada pelos dois mundos onde o filme se desenrola.

Por tudo isso, considero Thor – O Filme, como mais uma grande acerto da Marvel. Seu universo, amarrado lenta, mas de forma muito interessante, ganha mais uma página com esse filme. E que, como anuncia ao final do filme: THOR RETORNA EM: OS VINGADORES!
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Sobre o Autor: Kairo Abade
Fã incondicional de Reinos de Ferro, tento através do blog mostrar algumas criações e pesquisas que tenham relação com cenário. interessado em técnicas de narrativa que melhorem o jogo e sistemas "frankenstein", sou adepto da máxima: " "Este jogo não foi criado para ser confortável, mas para provocar e inspirar. Foi planejado para fazer você pensar e sentir, sonhar e aspirar."
Entre o trabalho duro aqui em Caspia, e as reuniões em tavernas obscuras, passo o tempo escutando muito Soul, R&B, Blues e Rock'n Roll. Isso tudo, claro, regado á um bom café.

4 comentários:

  1. Eu também recomendo foi um filme muito bom, e agora é esperar pra ver os próximos filmes(capitão américa, os vingadores, etc.
    Além do arqueiro negro ter dado uma pontinha no filme.
    Muito boa a resenha, to loco pra ver a nova e-zine.

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  2. Opa Kairo, não vou mentir, não pude ler todo, e nem quero ler até assitir...rs

    Mas mesmo assim, obrigadopela contribuição.

    Inácio. Neste exato momento que falo com vc, estou em 79% do download da e-zine 2...ELA ESTA VIVA!

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  3. O filme é legal, mas pecou muito com a historia complexa demais. Era muita história pra um filme só. Acabou deixando alguns personagens totalmente irrelevantes.



    *****Spoiler*****

    Thor, deus super orgulhoso, ficar perdido de amor por uma mortal em pouco mais de um dia foi muito sem sentido. O cara um dia antes queria matar todos os gigantes do gelo, desafiou a autoridade do próprio pai, e no dia seguinte estava quebrando a ponte do arco-íris pra salvar os mesmos gigantes... Sei, lá, a história é boa, mas faltou desenvolver mais.

    A citação do Bruce Banner e Hank Pin foi quase impercetível.

    *****Spoiler off *******



    Enfim, achei o filme legal, mas ainda não superou o Homem de ferro (que teve uma historia mais simples e amarrada).

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  4. John Bogéa, achei o filme muito bom. Porém, esse relacionamento entre Thor e a Dra. Foster ficou muito ruim. Uma pena, mas que não acabou com o filme! Também acho que o homem de ferro é o melhor, equilibrando muitos conceitos, e com a vantagem de ter o protagonista encarnado por um ótimo ator!

    Grato pelo comentário, fique a vontade com os outros posts!

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Grandes Bucaneiros. Quem não comentar vai virar comida do Lord Toruk!!!

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