04/07/2011

Papo de Bucaneiro - Quando as coisas não são como achamos que deveriam ser... (Homossexualismo e o RPG) (+18)

Olá kamaradas Bucaneiros!

Vou usar este espaço para tocar em um assunto que acho muito importante . Como sempre digo, gosto do rpg por que, além de um divertimento, é uma forma de expressão, virtualizar situações e interpretá-las de diversas formas, gerando discussões sobre os temas, os quais nos ajudam a compreender e agir no nosso dia-a-dia. Sendo assim, Leiam este pequeno texto:

Um grupo de mercenários (Os jogadores) experientes, repletos de glórias, cruza mais uma vez o território de conflito entre Khador e Cygnar. Sua meta, levar uma mensagem a um alto oficial do exercito Cygnariano. Esse oficial, também experiente, é um aliado de longa data, lutando várias vezes ao lado dos mercenários, os quais ele considera como profissionais livres, e é um dos únicos a aceitarem suas condições sem preconceitos. Não á dúvida na lealdade entre ambos os lados. Após alguns problemas, os mercenários encontram o oficial e lhe entregam a importante mensagem. Com isso, o oficial se torna um dos grandes nomes no fim da guerra, ajudando a nação a consolidar sua grandiosidade.
Festas e comemorações acontecem, e o oficial convida os mercenários, agora honrosos Cavaleiros da Nação, a uma reunião. Nela, além dos agradecimentos e acalorados debates sobre a guerra e o que sera no futuro, o oficial faz uma revelação:

ELE, É GAY. SIM, O GRANDE OFICIAL DO EXÉRCITO, GRANDE NOME EM DIVERSOS COMBATES E, PRINCIPALMENTE, AGRANDE AMIGO DOS MERCENÁRIOS, É HOMOSSEXUAL!

E então Bucaneiros?


Como será a relação dos personagens / Jogadores com ele?
Isso terá alguma influencia no jogo ou fora dele?
Isso vai gerar algum incomodo?
E principalmente, estamos preparados para nos desafiar no rpg?

Amigos, com esse pequeno texto e essas questões aparentemente simples, tento colocar uma situação atípica nas seções de jogo. Estamos acostumados com ambientações que, em sua maioria, são "politicamente corretas". Independente se somos Vampiros, guerreiros ou magos, a uma espécie de "linha moral" a qual a maioria dos jogos segue, principalmente no quesito sexualidade dos personagens. Porém, e quando as coisas não são como achamos que deveria ser? Neste caso, o grande aliado, amigo de batalha e grande militar responsável por o fim de uma GUERRA, é gay. E então, como podemos ver essa situação?

Grato
____________________________________________________________________
Sobre o Autor: Kairo Abade
Fã incondicional de Reinos de Ferro, tento através do blog mostrar algumas criações e pesquisas que tenham relação com cenário, mas também sobre muitos outros temas. Interessado em técnicas de narrativa que melhorem o jogo e sistemas "frankenstein", sou adepto da máxima:
"Este jogo não foi criado para ser confortável, mas para provocar e inspirar. Foi planejado para fazer você pensar e sentir, sonhar e aspirar."
Entre o trabalho duro aqui em Caspia, e as reuniões em tavernas obscuras, passo o tempo escutando muito Soul, R&B, Blues e Rock'n Roll. Isso tudo, claro, regado á um bom café.

16 comentários:

  1. Na minha mesa, ele morreria no banquete mesmo...Agora se fosse uma general lésbica....kkkkkkkkkkk!!!

    É engraçado esse tipo de coisa sendo a mesma coisa mas machismo é machismo...

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  2. Deveras interessante... A acaso de ele ser gay ou não não é implicância referido o cenário proposto. Se na Roma, a condição de homens gostar de outros homens (no caso efebos, ou meninos) era uma coisa comum, então, se o cenário comportar tal escolha/condição/gosto, nada de alarde ou preconceito.

    Agora, se o cenário for medievalista - como foi nossa era das trevas - aí poderia ser um caso de ostracismo, ele poderia até se tornar um pária, ou pior, se condicionado às punições da lei ou da religião vigente - depedendo dela, óbvio.

    Temos que deixar de tratar essas escolhas de sexualidade como algo do outro mundo. Pessoas - e nações - evoluídas não julgam outras pelo que fazem em 4 paredes, mas deveriam julgar pela atitude e honra de cada uma.

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  3. Realmente é um tema complicado...

    Lembro que narrei há poucos meses um cenário medieval ambientado na Bavária, todos os personagens deveriam ter um segredo sombrio.

    Um dos jogadores me surpreendeu, o Kairo (esse mesmo do post) como sempre, fazendo um arábe caçador, rico, e com tendencias homossexuais. Ele havia se envolvido com um lorde e este agora o chantageava em troca de dinheiro.

    Não chegamos a aprofundar o tema pois tive a necessidade de mudar de cidade, mas foi muito legal lidar com isso na mesa.

    Entretando, é preciso maturidade, pois, o tema pode muitas vezes cair em chacota (assim como as infames piadas de Negros).

    Outro exemplo é o líder dos mercenários do anime Berserk, ele aceita deitar-se com um homem rico (ele têm traços femininos) para conseguir fundos para o grupo.

    Definitivamente, o sexo (independente das visões) pode gerar otimas ganchos de interpretação.

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  4. Usei o exemplo do cenário de Reinos de Ferro, pelo fato de ser um cenário socialmente mais evoluido. Desta forma, pode-se ter uma idéia melhor para discussão. Eu sei que "Falando" é uma coisa relativa, depende do cenário, do clima do jogo...mas e na real? E a reação dos jogadores? Alguém já colocou em mesa algum tipo de situação dessa? pelo menos com a mesma intenção?


    Falcão: A idéia do machismo é a padrão...como disse, é a famosa "linha moral" que teimamos em sempre seguir em nossos jogos...mas já tentou criar situações que desafiassem os jogadores, ou mesmo o narrador, em relações a preconceitos? É uma otima situação de narrativa....

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  5. Rafael: Minha ideia com o seu jogo era essa mesma: Chegar em uma situação onde isso fosse colocado a mesa, para que os personagens / jogadores trabalhassem as interpretações com base nisso. Uma pena não ter conseguido chegar a esse ponto! Mas acho que a intenção foi legal, poderia criar uma ótima cenas...coisa que um alto BBA ou uma bola de fogo não podem resolver....

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  6. Realmente bucaneiros, um tema deverás polêmico. ainda mais quando se tem na mesa pessoas de orientação sexual homossexual. Acho que é um assunto a ser tratado sim, pois embora você não goste particularmente da opção ou modos da pessoa, o respeito deve sim existir. E isso poderia ser abordado na mesa de jogo. Como os jogadores, machões convictos, reagiriam se fossem salvo por um espadachim mortal, porém, claramente homossexual? Iriam honrar sua dívida de vida ou destratar seu salvador?

    Legal vocÊs terem a coragem de tratar deste assunto. Eu mesmo já tive na mesa homossexuais, e isso gerou sim comentários e desagrado. Até mesmo prejudicando a diversão do jogo em sí!

    Abraço galera (Ainda com ressaca do FORPG!)

    Sérgio Magalhães
    Vila do RPG

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  7. Bem, acho que a primeira coisa é:

    "O que o cenário pede e o que eu gosto"

    Por exemplo, narrei Ravenloft um tempo atrás, e se não me engano, usei Nova Vaaza como reino inicial. Se não me engano (desculpem...narrei em 2005) e lá os homem usam bigodes pompudos, bem ao estilo "MANUEL DA PADARIA".

    Um dos jogadores disse "QUE TOSCO, eu não vou usar bigode... Meu personagem tem um cavanhaque BEM LOKO".

    O grande problema é quando colocamos nossos gostos e preceitos antes da diversão. o Pré conceito pode "Limitar" o jogo.

    Acho que o ponto ideial é quando narradores e jogadores conversam sobre "QUAL O LIMITE".

    Por exemplo, conheci uma mesa que jogava no periodo cristão (sim, eles eram evangélicos) e definiram que a unica coisa que não "tocariam" seria em criar "Novas Versões" da historia já contada na Bíblia.

    Acho que o grupo precia definir seus gostos e limites.

    O mesmo serve para temas como estupro (alguem comentou saques bárbaros?) e tantos outros.

    Se pensarmos a fundo, um jogo medieval é um desfile de "Momentos Reflexivos" sobre Certo e Errado, Quebra de Conceitos e afins.

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  8. Sergui, é isso mesmo que estou propondo. Discutir sobre algo que mexe com nossos conceitos. Pra mim, o rpg é, além de uma diversão, uma forma de expressão. Nele podemos virtualizar situações e agir nelas. Na maioria das vezes são fantásticas, porém algumas vezes, nos deparamos com coisas mais "reais", nesse caso o homosexualismo. Na situação que apontei, acredito que gere algo muito interessante, pois, aproveitando o cenário (mais evoluido socialmente) vejo personagens tomando posições diferentes. O aliado no caso, de longa data confiável e de grande fama no cenário, revelou algo que não tem haver com segredos de estado, revelações apocaliptoicas nem nada, ele relvelou um pequeno (ou grande) detalhe pessoal, Mas e ai, isso vai afetar muito? É utilizar o rpg, não para doutrinar e apontar certo ou errado, mas para criar discussões, situações mais reais...

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  9. Este comentário foi removido pelo autor.

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  10. Reinos de Ferro também é um cenário de batalhas. Uma guerra é formada de várias batalhas. Como dizia o antigo general chinês Sun Tzu "A guerra é questão fundamental para o Estado. É o âmbito onde a vida e a morte são fundamentadas, um caminho que leva à aniquilação ou determina a sobrevivência. Deve ser examinada com cuidado e nunca negligenciada".

    Imaginem o reino de Cygnar cuja bandeira é representada pelo cisne. Ele está sendo flanqueado por todos os lados. Khador, Protetorado de Menoth, Piratas das Ilhas Scharde e o tirano dragão Lorde Toruk à espreita.Agora imaginem os salões reais de Caspia. Os conselheiros reais aguardando à presença do rei Leto Raeltorne. Um dos homens mais amados e admirados de Cygnar.

    Agora imaginem o nobre Rei Leto deitado com o renomado Comandante Stryker. Os dois mantendo uma relação homossexual, trocando amores e carícias na cama...

    Por que será que ao término do Golpe do Leão o jovem Coleman Stryker se ofereceu para continuar servindo diretamente na guarda pessoal do Rei Leto?Por que vocês acham que o Comandante e Adepto Sebastian Nemo sugeriu que o jovem Stryker deveria servir como Lâmina Tempestuosa? Será que foi por ciúmes? Será que Sebastian Nemo
    também é homossexual?

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  11. Muito interessante essa polêmica no jogo. Acho que o Kairo Abade foi o primeiro a transmitir essa proposta que ao meu ver deveria ser divulgada também em outros blogs de RPG.

    Quero deixar claro que minha intenção é contribuir com mais um comentário relevante, possibilitar uma discussão proveitosa através da liberdade de opnião e expressão; direito válido para todos.

    Particularmente não sou à favor dessa temática na mesa de jogo. Faço ideia do que seria propor algo semelhante para o grupo de RPG. O comentário do Sergio Magalhães ilustra muito bem isso.

    O Rei Leto Raelthorne e o Comandante Coleman Stryker são os heróis que mais admiro no cenário; talvez seja porque ambos iniciaram suas carreiras ainda na juventude coisa que admiro. Não seria divertido utilizá-los como homossexuais ou relacionar eles com qualquer tipo de escândalo sexual.

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  12. Prof. Harland Roswell: Obrigado por contribuir com o comentário. Minha idéia foi é a de questionar apenas. Acho interessante isso, dentro do rpg. neste caso, utilizei o homessexualismo, mas muitas coisas podem ser colacadas no jogo, ou apenas conversas, que saiam desde meio comum do RPG. Concordo com você, não vejo em outros blogs esse tipo de coisa. E isso me incomoda, pessoalmente, é claro. Ninguém tem que apontar as coisas que acho interessante. Apenas acredito que o RPG é algo muito bom para relacionar com questões reais (dentro do bom senso).

    Vou seguir essa linha nos meus próximos posts. Gostei muito do fato das pessoas terem opinado!

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  13. Prof.Harland Roswell...

    Realmemte, pareceu uma ideia "possivel". Tipo, todos acham os Espartanos incríveis, mas acredito que muito relevam o fato deles terem relações entre os seus.

    Mais uma coisa interessante, o Vampiro. Ao meu ver, um vampiro vê um humano assim como nós vemos a carne. E para nós, pouco importa se a carne é de Vaca ou de Boi, porem, mesmo assim, em uma mesa, raramente vemos homems vampiros "alimentando-se" de outros homens.


    Acredito que muitos desses conceitos devem ser quebrados e deixar o jogo mais fluído.

    E Kairo... assim como vc, acredito que nós falamos pouco sobre o jogo em sí. Somos em suma, desunidos, mas isso é um post para outro dia.

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  14. Rpg é um jogo complicado porque as pessoas tendem a realizar diversas fantasias dentro do jogo, principalmente jogadores novatos. Por isso é comum ver atitudes absurdas como: "ele é gay? então eu mato ele" não importando qual a classe social ou importância do npc em questão.
    Tenho uma mesa de jogadores novatos em que apenas um é um personagem maligno, mas todos se juntaram para matar um clérigo npc que se recusou a curá-los. Porque é uma fantasia a pessoa vive como se pudesse fazer o que quiser, nada está em jogo mesmo, e eles tomam uma atitude absurda frente a uma decepção boba. É uma forma de jogar válida se divertir a todos, mas eu acredito que tomar atitudes mais concretas dá mais valor a experiência do jogo.
    No caso de homossexualismo, acho que baseado em atitudes concretas podemos tomar as decisões mais variadas. Em Reinos de Ferro, não acho que o homossexualismo seria tão bem visto assim, até porque a religião do lugar é bem próxima da cristã em termos de privações (exceto por Thamar). Um personagem caótico mau poderia simplesmente assumir uma postura homicida e assassinar o cara, um personagem bom poderia ser contra, mas ver o valor do cara e caso se tornassem amigos aconselha-lo segundo o que é certo, e um outro tipo de personagem poderia tentar difamar o cara para conseguir algum benefício posterior. Em termos de jogo acho que não devemos ter preconceito contra o preconceito e deixar os jogadores serem contra ou a favor como bem entenderem. O caso torna-se outro quando trazemos para a realidade. Não deveria existir homofobia, e a discussão sobre isso só mostra que essa é uma utopia distante de se realizar. Então eu deixo a pergunta: e jogar com jogadores homossexuais? É um problema?
    Desculpem se me delonguei demais.

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  15. qualquercoisaai...

    Cara, para mim, o maior problema qque exisitiria em ter um jogador homossexual é o mesmo que teria caso tivesse uma mulher ou um negro:

    Toda vez que dissesse, "Macaco ou Chupa meu P..." eu ficaria olhando para saber se importaram-se.

    Acho que pensaria duas vezes sobre o assunto. Tipo, colocar uma camponesa para um jogador/personagem Hetereo dar uns "pegas" é normal, porem se um jogador/personagem homossexual der em cima de um homem, não sei como seria na mesa.

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  16. Sim, kamaradas, é complicado, estranho...mas o RPG é isso, lidar com situações diferentes. Pode gerar algum desconforto, sim, pode, mas na medida do possível, trabalhar esses grandes "vilões" do jogo pode gerar cenas muito interessantes!

    A questão aqui, não é se incomodar ou não com um posicionamento (sexual, politico, religioso...) mas sim saber lidar com essa estranheza e usar o jogo para trabalhar isso!

    Eu mesmo, sou Budista, e nunca joguei com pessoas da minha religião. Mesmo assim, já entramos em situações onde o mesmo foi citado ou mesmo "jogado", mas, pelo menos pra mim, e com o bom senso dos jogadores, foi muito legal! Sei que nem sempre pode ser assim, mas como vamos agir? como vamos virtualizar isso? Claro, se for interessante também,....

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Grandes Bucaneiros. Quem não comentar vai virar comida do Lord Toruk!!!

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